quinta-feira, 15 de março de 2012

Medo da Verdade - Capítulo 19- Desconfiança



Assim que entrei, mirei sua face apática e amarelada, afaguei sua testa, sentei ao pé da cama e aconcheguei sua cabeça em meu tórax, ao mesmo tempo em que lhe fazia cafunés.
Ao que me pareceu pouco tempo, ele despertou. Seu olhar estava cansado, vê-lo enfermo me atingia a consciência.
- Olá. – Eu disse com uma voz aveludada.
- Olá. – Retribuiu com uma voz rouca e arrastada.
- Como está se sentindo?
- Estou sentindo meu sangue ardendo por entre as minhas veias, e um extremo cansaço nos meus músculos.
- Não se preocupe você vai ficar bem…
Então o Dr. Juarez entrou na sala e esboçou um sorriso ao olhar para Marcio desperto.
- Bom Dia. – Cumprimentou-nos.
- Bom Dia. – Eu e Marcio falamos junto em perfeita sincronia.
- Como vai? – Perguntou a Marcio.
Como resposta Marcio repetiu-lhe a mesma coisa que havia me dito.
- Por sorte, a picada que você sofreu foi de uma cobra cujo veneno não causa morte instantânea.
- Picada de cobra?
- Sim. Sua irmã não lhe contou?
- Espere aí. Eu fui picado por uma cobra.
- É isso mesmo.
- Desculpa Marcio, mas é que não tive tempo.
- Doutor, o senhor poderia nos dar um segundinho a sós? – Marcio pediu licença com a voz um pouco alterada.
- Como quiserem. – O Dr. Juarez concordou.
Assim que ele saiu, Marcio soltou um suspiro de alivio e depois dirigiu um olhar de censura para mim.
- Quer dizer que eu fui picado por uma cobra e você disse ao médico que era minha irmã? – Sua voz era irônica.
Apenas concordei com a cabeça como resposta.
- Pare Estela! Eu não sou idiota. Tudo está bem claro para mim.
- O quê? Como assim?
- Não se faça de fingida, mas eu vou deixar tudo bem claro para mim. Ontem á noite você tentou me matar com uma das suas injeções de veneno de cobra, porém quando me ouviu gritar se arrependeu e me trouxe até aqui e se cadastrou como minha irmã, provavelmente com um nome falso e o meu sobrenome para não levantar suspeita, caso eu descobrisse tudo o que se passava.
- Como você pode pensar isso de mim?
- Desta vez você não vai conseguir se safar, eu vou denunciar você.
- Não Marcio, por favor. Eu não fiz nada contra você. - Implorei.
- Se não quiser que eu diga que você tentou me matar, saia daqui agora, e nunca mais apareça na minha frente.
Assim que ele proferiu estas palavras meus olhos irromperam em lágrimas e eu saí correndo para fora do hospital. Enquanto eu corria pude perceber os olhares curiosos que me acompanhavam.
Essa foi a última vez que vi o Marcio, depois de sair correndo como uma louca pelo hospital, eu peguei meu carro e dirigi de volta à São Paulo.

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